O comandante e o subcomandante da UPP de Santa Teresa dançaram. Eles e mais uma turma de soldados, que dividiam R$ 53 mil mensais para fazer vista grossa ao tráfico. Para o comandante da PM, coronel Mário Sérgio e para o comandante das UPPs, coronel Robson Rodrigues foi um acidente de percurso. Mas como em todas as outras comunidades com UPP, o próprio secretário Beltrame admite que existe tráfico, não é demais questionar se nessas outras áreas os traficantes também estariam pagando propina a policiais militares.
E faço uma pergunta: numa comunidade onde há traficantes armados e policiais subornados, o soldado que for correto e quiser cumprir o seu papel teria coragem de enfrentar sozinho, passando 24h dentro da comunidade, esse conluio criminoso? É claro que há policiais honestos, mas até por uma questão de sobrevivência vão ter que no mínimo fingir que fazem parte do jogo e deixar os bandidos à vontade.
Um policial que trabalha em uma UPP, irmão de um conhecido meu, me contou por exemplo, que a ordem é deixar as maquininhas de caça-níqueis funcionarem livremente. O seu superior lhe disse: “Isso aí é lazer pra comunidade. É melhor gastarem nas maquininhas do que comprarem drogas”. Essa é a lógica. Não custa lembrar que este ano, o comandante de todas as UPPs, coronel Robson foi advertido pelo comando-geral por prestar serviços aos banqueiros de bicho da LIESA.

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